Descobri no jugular a frase mais linda sobre estas eleições : " Rose Parks sentou-se para que Luther King pudesse marchar. Luther King marchou para que Obama pudesse voar ".
Para quem não reconhece os nomes, Rose Parks foi a costureira de Montgomery, Alabama, que se recusou a sair da sua cadeira para dar lugar a um branco num autocarro e a sua atitude foi das principais alavancas para o movimento pelos direito cívicos na década de 60. Martin Luther King liderou os movimentos de protesto e no seu célebre discurso " Eu tenho um sonho" em agosto de 1963 lançou os alicerces de uma sociedade que então não passava de uma miragem. Hoje, apenas passada uma geração, Barack Obama atingiu o que muitos sonharam, embora poucos tivessem a coragem de o afirmar, um negro é Presidente eleito dos Estados Unidos da América.
Poucos dos problemas que afligem e corroem a sociedade americana serão resolvidos com esta eleição. As guerras entre gangs de negros e hispânicos nos bairros degradados das cidades não cessarão, o déficit federal não desaparecerá facilmente, os soldados americanos não deixarão de alvejar nem de ser atingidos onde quer que andem pelo mundo. Chavez não ganhará juízo, o Irão não reconhecerá Israel, os Palestinianos não farão a paz entre eles e com os Judeus e a Coreia do Norte, ao contrário do que diz Bernardino Soares, continuará a investir rios de dinheiro em programas bélicos enquanto o seu povo morre à fome.
Não existem na política nem na geoestratégia varinhas de condão, apesar do campo ser fértil em ilusionistas. Barack Obama tem sobre os seus ombros o peso da esperança que criou e o lastro dos resultados que se lhe exigirão quase automaticamente. Não acredito que faça um décimo do que dele esperam, mas a política é isso mesmo, a gestão de vontades, a procura de soluções e a assumpção de prioridades, com todos, por todos e para todos, como escreveu Lincoln. Costuma-se dizer que as campanhas eleitorais são feitas em poesia e o governo em prosa. Obama não mudará o mundo mas pode mudar a forma como o mundo se relacionará e verá os Estados Unidos da América que, para infelicidade de muitos continua a ser o farol da Liberdade e da Democracia no planeta.
Digam o que disserem, o dia 4 de novembro de 2008 entrará na história. Há 40 anos Obama não poderia entrar em certos transportes públicos nem estudar em certas escolas. Há 60 não poderia servir no exército e há 100, apesar de previsto constitucionalmente, não conseguiria votar. Há 150 anos seria escravo, tal como os seus ascendentes e as suas lindas filhotas teriam nascido propriedade de alguém.
Muito precisa de mudar na sociedade americana mas por mais graves que sejam os problemas e as injustiças que lá resistem, há também isto, a capacidade de o filho de um pastor Queniano e de uma americana aos 47 anos nos lembrar que sim, tudo é possível, que sim, nós podemos.
" Se ainda anda por aí alguém que duvida que a América é o local onde tudo é possível, que ainda pensa se os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, que ainda se questiona sobre o poder e a força da nossa democracia, esta noite é a vossa resposta".
Barack Hussein Obama

BOA NOITE DIREITA ESTÚPIDA!

Descobri via Jumento. Não podia concordar mais :
Como se sentirão os ideólogos do que resta da nossa direita nesta noite em que muito provavelmente os americanos recolocam os EUA na normalidade? A nossa direita é cartesiana e apoiou incondicionalmente McCain só por estar mais à direita, a situação é tão ridícula que muitas personalidades de um partido que se diz social-democrata apoiaram a candidatura de McCain, tal como já tinham apostado em Bush contra Gore. Tão estúpida nem a direita espanhol, o PP, um partido bem mais à direita do que o PSD, apostou em Obama.
Depois do desaparecimento dos liberais é a vez dos admiradores de McCain. Vale a pena ler o retrato que Pacheco Pereira fez de Obama no passado dia 4 de Fevereiro:
«Uma parte da nossa direita e de quase toda a nossa esquerda, mostra como o anti-bushismo não é bom para a qualidade do pensar. É que Obama, comparado com Hillary Clinton ou com John McCain, tem pouco lá dentro. Nem saber, nem experiência, nem consistência. Pode vir a ganhar tudo isto, mas para já não tem. Mais um produto da fábrica de plástico, jovem, simpático, bom ar, bom falador, muito teatro de convicções, e politicamente correcto na cor, nem muito preto, nem muito branco, mais um teste para a tese de Kissinger de que cada vez mais as condições para se ser eleito presidente nada tem a ver com as condições para se exercer bem o seu cargo.» [Abrupto]
Veremos o que vai dizer agora.

O país do faz de conta

Li isto do Eduardo Pitta e gostei. Uma análise a reter.
Quando esta crónica foi publicada na LER, recebi mensagens a perguntar que história era aquela de, em 1982, os portugueses terem dificuldade em comprar (sem esquemas pelo meio) whisky ou bacalhau. Agora que pus o texto em linha, novo coro de perplexidade. Como os e-mails não trazem agarrada a idade do autor, presumo que seja malta nova, habituada desde a puberdade a ver em qualquer hiper oitenta marcas diferentes de whisky, whiskey e bourbon, uma dúzia de espécies de bacalhau (seco, fresco e congelado), e por aí fora. Pois é. E não era só o whisky e o bacalhau. Era também o arroz. Exactamente: o arroz. Em Cascais, onde então vivia, a Casa Príncipe, o Fauchon lá do sítio — transformada em agência Nova Rede no tempo em que a Nova Rede engolia tudo; já não existe, o Millennium extinguiu o segmento Pobrezinhos —, arranjava embalagens “de agulha” para clientes habituais. Já não falo de artigos de luxo, como queijos e champanhes franceses, chás ingleses, chocolates belgas, salmão escocês e produtos similares, todos de importação, que hoje encontramos ao virar da esquina. Onde é que eu quero chegar? À crise actual. Hoje não temos uma crise cambial, mas contra a falta de liquidez pouco podemos. No fundo, para que serve a garantia de 20 mil milhões de euros dada ontem pelo Estado, na pessoa do ministro das Finanças, ao sistema bancário? Serve para garantir o padrão de consumo dos últimos vinte anos. Padrão de consumo em que o crédito à habitação tem parte de leão. No início dos anos 1980, quando o crédito à habitação ainda não tinha começado a “democratizar-se”, as condições de concessão tinham um código espartano: praticamente sozinha no negócio, a Caixa Geral de Depósitos não tinha pressa (com cunha, a coisa resolvia-se em 3 meses; o normal era o dobro), a situação financeira do interessado era esmiuçada, o montante concedido não excedia 80% da avaliação do imóvel, o prazo da hipoteca não excedia 20 anos, etc. Ninguém sem emprego estável (no Estado, na banca, em empresas públicas ou firmas sólidas) há pelo menos 10 anos... se atrevia a pedir um empréstimo. Depois foi o bodo aos pobres. Nos últimos seis ou sete anos, gente desempregada, ou com emprego precariíssimo, fechou empréstimos em 48 horas para comprar andares com pavimento ondulante, lareira de granito, banheira de hidromassagem, tectos estucados, cozinha hi-tech, luz regulada, vidros duplos, estores eléctricos, garagem para dois carros, etc. Pais que na véspera se queixavam do desemprego da Xana ou do João, taditos, «tiraram relações internacionais e não arranjam nada», gabavam-se no dia seguinte do T3 que a Xana ou o João tinham comprado em Telheiras ou no Parque das Nações, não por irem constituir família, mas por terem direito... à sua privacidade (ou seja, à queca do fim-de-semana). Ouvi conversas destas até à náusea. Receio bem que este padrão tenha de mudar. Porque se o aval de 20 mil milhões de euros servir para garantir o país do faz de conta, então caminharemos alegremente para o abismo.

Brigitte Bardot vs Sarah Palin

Gosto de piadas. Por vezes até podem ser racistas, machistas ou outros istas quaisquer, só é preciso é que tenham piada. Descobri este post no Contra Capa e gostei. Porque é que Brigitte Bardot não arrancaria a pele a Sarah Palin se a encontrasse ? É que Bardot não gosta nada dessa cena de esfolar animais vivos.

Eleições americanas




Para não me acusarem de fazer previsões depois do fim do jogo, aqui vai a minha aposta : Barack Obama vai limpar as eleições e de goleada. Se não me enganar, 396 votos no colégio eleitoral contra os 142 de McCain. Se eu falhar por muito, sintam-se livres para vir cá gozar-me.

Com a crise financeira o disparate anda à solta, governantes, partidos da oposição, comentadores, economias e cidadãos comuns desataram a teorizar sobre o mercado financeiro e a exigir regulação, Num dia o mercado é uma roleta, no outro sabemos que o dinheiro da segurança social andou nessa roleta, num dia garantem-nos que há uma mão invisível e no outro asseguram que os que acreditam na mão invisível confiam no maneta.
Mas afinal o que é o mercado financeiro? Imaginemos que um chinês que trabalha numa fábrica têxtil em regime de cama quente, alimentado pela esperança de vir a ser mais rico do que o Stanley Ho, decide investir as suas poupanças. Se não for viciado no jogo, em vez de apanhar turbo jet para Macau vai à agência do Banco da China e investe num qualquer fundo. Por sua vez, o Banco da China junta todos estes investimentos e vai procurar investimentos na bolsa de Hong Kong, provavelmente reinveste num fundo de investimento de um banco internacional, este vai vender o dinheiro a um banco português que precisa dele para emprestar a crédito ao senhor Silva que pretende comprar um apartamento para a filha. Tanto podia ser o senhor Silva, como o senhor John que vai comprar uma casa em Chicago ou senhor Suarez, um pequeno comerciante da Colômbia.
O mercado financeiro teve a virtude de fazer com que o dinheiro do senhor Chang permitisse à filha do senhor Silva ter casa, porque quem casa quer casinha. O senhor Silva nunca há-de ouvir falar do senhor Chang e ficará eternamente grato ao senhor Ricardo Salgado ou ao banqueiro local que lhe fez o especial favor de emprestar-lhe o dinheiro que vai fazer a felicidade da filha. Nem o senhor Silva, nem o senhor Chang, nem mesmo o senhor Ricardo sabem as voltas que o dinheiro deu, o dinheiro circulou à mesma velocidade com que se acede a uma qualquer página Web.
Se no meio de todo este circuito houver um senhor Ricardo mais maroto e descobrir que pode ganhar muito mais se em vez de ter emprestar apenas ao senhor Silva, desatar a emprestar sem critério e sem se assegurar de que os clientes do banco vão poder pagar o empréstimo, é muito provável que o senhor Chang se venha a arrepender de ter depositado o dinheiro no banco em vez de o estoirar num casino de Macau.
Como vamos regular isto? Se o dinheiro fosse um queijo seria fácil, por cada passagem numa alfândega chamavam-se as autoridades sanitárias competentes, que certificariam a qualidade. Os queijos não poderiam ser armazenados em armazéns manhosos como as off-shores e quando o senhor Silva decidisse banquetear a família com um queijo chinês, acompanhado de um carrascão não haveria problemas. O queijo ostentaria um etiqueta com letras a amarelo assegurando que o produto era proveniente da queijaria do senhor Chang, em Hong Kong, indicaria a data de fabrico, o teor em gordura, o nome do importador português e passaria pelo crivo da ASAE. O senhor Chang receberia o dinheiro e o senhor Silva não teria que ira a correr para o wc mais próximo agarrado às calças.
Só que o dinheiro não são queijos e fazer fluir biliões e biliões de dólares de forma a que o dinheiro de quem poupa chegue a quem dele precise e esteja disposto a remunerá-lo não é coisa para peritos veterinários. O dinheiro não circula com etiquetas nem tem certificação de origem, quando isso suceder voltaremos ao sistema financeiro do século XIX.
É evidente que são necessárias regras, principalmente regras penais para quem vicie as regras do jogo, mas pouco mais se poderá fazer. A actual crise financeira poluiu o mercado financeiro com títulos que agora chamam tóxicos, o mercado está tão poluído como as costas do Alasca quando o Exxon Valdez se afundou devido à irresponsabilidade de um comandante. Vai levar algum tempo para que os danos desapareçam, até que a poluição deixe de se fazer sentir no mercado.
Depois a confiança regressará e o senhor Chang voltará a fazer os seus depósitos, até porque só tem duas alternativas, ou ser roubado pelo banqueiro se depositar o dinheiro no banco, ou pelo mafioso da sua rua se o esconder debaixo do colchão. Só que o senhor Chang descobriu que há leis para meter o mafioso na cadeia, enquanto o banqueiro rouba e ainda recebe um prémio.
Por cá o Lidl queria prender uma cliente por supostamente ter roubado um creme de 3,99, na América os banqueiros que receberam milhões em prémios para tramarem milhões de senhores Chang vão voltar a receber prémios por resolverem a crise dos seus bancos com o dinheiro de milhões de senhores Silvas.

Se quem estiver a ler isto me conhecer de algum lado, o que é bastante provável, sabe muito bem a razão do título deste texto. Aliás, se fizesse uma sondagem a todas as pessoas que passaram pela minha vida nos últimos 15 anos e lhes pedisse que nomeassem uma característica que me identifique, tenho a certeza que “Distraído” seria a resposta natural (não tenho assim tanta certeza mas como as outras hipóteses são bem piores agarrei-me a esta).
Todas as pessoas têm momentos de distracção, é a coisa mais natural do mundo, agora quando digo que sou mesmo distraído é porque em mim esse é um comportamento que assume particular gravidade. Eu esqueço-me de quase tudo e, de acordo com as leis de Murphy, sempre nos piores momentos possíveis. Já me esqueci de códigos e passwords, desde o do multibanco ao do telemóvel passando pelo do email. Já inventei menemónicas para me recordar desses códigos, menemónicas essas que foram esquecidas tão ou mais depressa do que os códigos originais. Andei 6 meses inteiros com o BI fora de prazo e, apesar de já ter tratado da renovação, não faço a mínima ideia de onde pus o comprovativo de que estou a regularizar a situação e duvido que venha algum dia a lembrar-me do prazo para levantar o cartão novo. Já fui multado por me ter esquecido da inspecção do carro, o que visto à distância nem parece muito grave, principalmente tendo em conta que já fui chamado a tribunal por me ter esquecido de pagar a multa e até já fiquei empenado na estrada umas quantas horas por não saber onde tinha o adaptador que me permitiria desapertar as rodas para trocar o pneu.
Como professor que sou, tenho inerente à minha licenciatura um mestrado em burocracia aplicada e um doutoramento em preenchimento de papeis inuteis. Obviamente que chumbei nos dois com olímpica mediocridade visto que tenho uma tendência natural para perder papeis, ou, no mínimo, esquecer-me de os preencher ou até mesmo não saber onde os pus depois de os ter preenchido correctamente. O facto de ter conseguido dar umas aulinhas no intervalo da burocracia durante onze anos e não ter sido preso só se justifica partindo do princípio que alguém andou mais distraído do que eu. Não tenho o sentido de perspectiva que permite à maioria das pessoas no domingo à tarde saberem exactamente o que vão fazer quinta-feira às 17h43m. Eu não tenho essa capacidade de organização, facto que já me levou a comprar uma agenda para me ajudar há uns anos atrás e, em minha defesa, tenho a dizer que precisei de três semanas inteiras para a perder.
Já preparei surpresas que me esqueci de fazer e também já comprei prendas que não me lembrei de oferecer. Se algo ou alguém me aborda ou interrompe à porta de uma cantina ou restaurante dou comigo por vezes a pensar se estaria a entrar ou a sair sem ter a certeza de já ter comido. Quando interrompo a leitura de um livro é frequente não saber bem onde ia e, apesar de mais raro, também já aconteceu não me lembrar do livro que estava a ler.
Tenho funções novas este ano, estando destacado na Direcção Regional de Educação. O edifício da DREALG é das construções mais simples que alguém possa imaginar. É um quadrado com todos os seus 4 lados e com 4 ângulos rectos inteirinhos. É daquelas construções onde é impossível uma pessoa perder-se porque, mesmo que se perca, caminhando na mesma direcção encontra sempre a saída. A primeira vez que vim cá apresentar-me, ao dirigir-me para a rua, obviamente perdi-me e só fui encontrado na segunda feira seguinte de manhã por uma equipa do CSI Miami escondido atrás de uma porta a comer a terra dos vasos. Não pensem que esta é a única história que tenho no emprego novo. Na semana seguinte a picar o ponto (basicamente corresponde a passar um dos dedos previamente definidos numa maquineta, o que é óptimo porque me obriga a ter as mãos lavadas pelo menos duas vezes por dia) as coisas não estavam a funcionar bem. Passei vezes sem conta o dedo pré-definido e nada, parti logo do princípio que me tinha esquecido do dedo certo e como tal, passei os outros nove, a ponta do nariz e quando me começava a descalçar para passar os dedos dos pés alguém me disse que tinha que carregar na tecla #, facto que obviamente já tinha olvidado. No meio de todos estes desastres de planificação de gestão diária, devo referir que não costumo esquecer-me de comparecer a encontros e que nesse aspecto sou religiosamente pontual, mas, conhecendo-me como me conheço, isso não é uma virtude e aposto que é apenas porque me esqueço de chegar atrasado.
Nunca compreendi muito bem o quê é que as pessoas têm contra os distraídos. Aliás, considero que chamar a alguém de distraído é uma atitude um pouco arrogante porque o que estamos a afirmar é que nos sentimos incomodados pelo facto de a outra pessoa ter a lata de estar concentrada em algo diferente do que nós queriamos. No entanto, o que me leva mesmo à loucura são as pessoas que atribuem este tipo de situações à falta de responsabilidade ou imaturidade. Quem raio são vocês que não se apercebem de um pôr do sol se não o marcarem na agenda para me acusar do que quer que seja ? Irresponsável ? Eu ??? Não me lixem pah !
Como escreveu uma amiga de um amigo comum num comentário no meu blog : “ … afinal de contas cada um não é um … somos muitos dentro de um só…”. É exactamente o que ando a querer explicar há anos. Carrego em mim muitas vertentes e muitas facetas e, confesso, tenho alguma dificuldade em pôr em prática a correcta no contexto certo. Sou o professor e o político, o amigo das galhofas e o tipo das conversas sérias. Sou o desprendido e o apaixonado, o bonacheirão, o colérico e, segundo alguns, até mesmo o poeta, o romancista e o guru. Sou-o todos os dias apesar de vós normalmente apenas repararem no que mais vos agrada ou no que mais detestam. Como escreveu José Gomes Ferreira, sou como uma nuvem que a todos parece uma coisa diferente, sendo que muito dificilmente algum de vocês consegue ver a panorâmica completa.
Se me acham distraído é porque não tenho medo nem receio de ceder à minha complexidade. Se acham as minhas atitudes irresponsáveis, experimentem pensar que quando devia estar a preencher um papel estou a pensar num problema da minha Junta de Freguesia, quando devia estar a comer estou a sonhar, quando devia estar concentrado a olhar-vos olhos nos olhos durante uma conversa estou apenas a tentar resolver um problema que apareceu no trabalho e ao qual não liguei nenhuma porque estava a apaixonar-me por alguém que ainda não descobri se existe.
Chamem-me distraído, infantil, imaturo e irresponsável, estejam à vontade, já nem sequer quero saber. Posso até levar a mal num primeiro momento mas mais cedo ou mais tarde vou-me esquecer, a vida é bela demais para guardar lastro em cima dos ombros e eu, o que quero verdadeiramente é ser feliz. Para quê que me vou chatear por não ver o sol brilhar até ao último dos seus dias tendo a certeza que ele brilhará até ao último dos meus ?

Já foste McCain !


O Malandro
Chico Buarque

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom

O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

Aljezur


Que bem que se está em Aljezur ao princípio da noite.

Ria Formosa


Que bem que se está em Olhão ao final da tarde !

Alte





Conheço Alte há muitos anos mas confesso que nos últimos quatro não tenho sido presença assídua. Fez ontem uma semana que lá voltei por acaso e tive oportunidade de recordar, em todo o seu esplendor, os motivos que me fazem considerar Alte como uma das mais belas terras Algarvias.
Passei lá muitos fins de tarde e algumas noites mas nunca me tinha apercebido com tanta clareza que aquela aldeia foi construída sob alicerces de ternura e de carinho.
Foi uma tarde muito agradável.

Ontem foi noite de debate nos EUA entre Joe Biden e Sarah Palin, os candidatos a Vice-Presidente respectivamente dos partidos Democrata e Republicano.
Criou-se por aí uma tendência entre os comentadores políticos de avaliar como vitória num debate, o facto de um candidato não se sair tão mal como se pensava à partida. É aquela velha filosofia das vitórias morais segundo a qual, se perdermos 5-0 quando toda a gente pensava que iamos perder 10-0, foi uma vitória porque superámos as expectativas. Cá em Portugal já assistimos a isto e aposto que os actos eleitorais do próximo ano vão ser férteis nesta engenharia argumentativa.
Eu funciono em moldes um pouco diferentes. A vitória é o objectivo e só depois dessa assegurada me começo a preocupar com a dimensão da mesma. Não concordam ? Tentem recordar-se quantos atletas conhecem que ganharam medalhas de ouro nas olimpíadas e comparem com os que conhecerem que ganharam prata, independentemente de terem ficado a um milésimo ou a 10 minutos do primeiro.
Serve esta conversa para numa pequena análise referir que Joe Biden ganhou claramente o debate de ontem. John McCain teve um acesso de paralisia cerebral ao escolher a Miss Alasca para sua companhia no ticket Republicano. O que ontem se viu foi um verbo de encher a debitar frases feitas e respostas ensaiadas na esperança de se fazer parecer inteligente entre os seus lindos sorrisos de plástico. Pode ter enganado alguns, mas aposto que a muitos mais confirmou que não passa de uma barbie telecomandada às mãos da mais radical e retrógada direita dos EUA. Haja bom senso e depois de oito anos serão varridos para o caixote do lixo da história. Sem apelo nem agravo, sem honra nem memória.

Love is noise

Love is noise

Will those feet in modern times
Walk on soles that are made in China?
Feel the bright prosaic malls
And the corridors that go on and on and on

I was blind - couldn't see
We are one incomplete
I was blind - in the city
Waiting for light wind to be saved
Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again

Will those feet in modern times
Understand this world's affliction
Recognise the righteous anger
Understand this world's addiction?

I was blind - couldn't see
What was here in me
I was blind - insecure
I felt like the road was way too long, yeah
Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm feeling again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again, again, again, again, again

Cause love is noise, love is pain
Love is these blues that you're feeling again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again, again

Will those feet in modern times
Walk on soles made in China?
Will those feet in modern times
See the bright prosaic malls?
Will those feet in modern times
Recognise the heavy burden
Will those feet in modern times
Pardon me for my sins
Love is noise
Come on

The Verve

Fala do Homem nascido

Hoje sinto-me assim. Travem-me se puderem !

Fala do Homem nascido

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

In Teatro do Mundo, 1958

When love breaks down

http://www.youtube.com/watch?v=E0PkIO1SmO8

My love and I, we work well together
But often we're apart
Absence makes the heart lose weight, yeah,
Till love breaks down, love breaks down

Oh my, oh my, have you seen the weather
The sweet September rain
Rain on me like no other
Until I drown, until I drown

When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you

When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you

When love breaks down, when love breaks down

My love and I, we are boxing clever
She'll never crowd me out
Fall be free as old confetti
And paint the town, paint the town
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down
You join the wrecks
Who leave their hearts for easy sex
When love breaks down
When love breaks down

O Jumento do dia

Li isto e gostei :

"O mesmo Pacheco Pereira que elogiava Sócrates no tempo em que Menezes liderava o PSD e metia o símbolo do partido de cabeça para baixo no seu blogue decidiu agora mudar de ideias e detestar Sócrates, aliás, o seu ódio a Sócrates é proporcionalmente inverso aos resultados de Manuela Ferreira Leite nas sondagens. E coimo as sondagens têm vindo a remeter a líder do PSD para o patamar que merece, apesar de seguir religiosamente os conselhos de JPP ao ponto de parecer uma marionete, o guru arde de ódio.

Agora escolheu o Magalhães para dizer tudo o que vem à cabeça, não percebendo que a sua opinião só chegam aos que normalmente não mudam de opinião. Perdeu o controlo ao ponto de comparar o primeiro-ministro com Valentim Loureiro, o seu camarada que "dava frigoríficos e outros electrodomésticos", classifica Sócrates como "um típico tecnocrata, mais autodidacta do que com uma formação profissional sólida", suspeita de "obscuridades sobre como este projecto apareceu", quer saber se "saber se a distribuição de computadores individuais para as crianças do ensino básico tem sentido pedagógico e utilidade no combate à info-exclusão".

É ridículo ver um Pacheco Pereira que há uma semana só estava preocupado com a nacionalidade do Magalhães e o destaque que a comunicação social, vem agora manifestar muitas preocupações com as questões pedagógicas. Anda há mais de duas semanas a protestar contra o Magalhães e só agora se preocupa com as criancinhas?

A verdade é que JPP está a sofrer de uma grave crise de dor de corno, deve doer ver o PS sobreviver aos preços dos produtos alimentares, aos preços dos combustíveis, aos boicotes dos camionistas, à vaga de crimes e à crise financeira, enquanto a sua Manuela Ferreira Leite se afunda nas sondagens, com medo de falar e de apresentar as suas ideias.

É ridículo ver um Pacheco Pereira desesperado, ouvindo as piadas de Luís Filipe Menezes, vendo Marques Mendes roubar o protagonismo à líder do PSD, enquanto o PS sobrevive e o PSD de Manuela Ferreira Leite definha. Ele sabe que o que conta são as eleições e que vai ser o maior derrotado, foi ele que inventou a ideia de que com a Manuela Ferreira Leite o PS não alcançaria a maioria absoluta. Parece que já o percebeu, só isso o pode levar a ter tanto ódio contra o coitado do Magalhães."

in Jumento

Crónica de uma semana perfeita

Não me acontecia há muito tempo. Há tanto tempo que já nem me recordo da última vez em que pude gozar sete dias inteiros e seguidos de uma felicidade devoradora. Começou tudo no sábado 20 de Setembro ao acordar numa pousada de juventude em Esposende num dia em que passei por um comício em Guimarães na companhia de 15.000 pessoas e acabei todo torcido a tentar dormir num banco de autocarro depois de um belo leitão à Bairrada. No Domingo acordei cansado demais para abrir os olhos mas durante a tarde as baterias foram recuperando e depois de algum esforço consegui estar presente no dilúvio de Albufeira, onde apanhei uma das maiores molhas da minha vida, uma daquelas chuvadas que lavam a alma e levam toda a restea de mágoa, ao mesmo tempo que baptizam e prenunciam um futuro que apesar de incerto, é futuro, logo, preferível ao presente.
O melhor de tudo estava para começar na segunda feira. O trabalho arrancou à velocidade do desespero e antes do final do dia houve sessões de entrega de PCs Magalhães para organizar e assistir e ainda uma reunião política de noite que correu melhor que as minhas melhores esperanças. Terça e Quarta feira foram passadas num regime de trabalho intensivo devido a uma acção de formação onde estive presente mas nem a noite mal dormida diminui a sensação de dever cumprido pelo sucesso dos trabalhos. Quinta Feira deu para respirar fundo, mas apenas durante a manhã. De tarde o trabalho voltou a afogar a respiração mas com um jantar e peça de teatro à sobremesa no horizonte, nem isso me tirou o sorriso do rosto. Sexta Feira foi o grande dia da inauguração das infra-estruturas do Plano Tecnológico Educativo na Escola Secundária Pinheiro e Rosa e, depois de um grande dia só mesmo uma grande noite que começou com música antiga em Querença e acabou com uma sinfonia de chuva e trovoada algures no campo do concelho de Loulé.
Há muita gente que teme a felicidade como se de uma doença se tratasse. Talvez não tanto a felicidade mas sim o risco que está inerente à sua procura. Há quem tema sentir-se feliz por ter pavor do dia seguinte. Eu, sinceramente, só tenho mesmo medo é de não ter a capacidade de vos explicar como é bom sentir mais do que sangue a fluir nas veias, ver a vida com um brilho nos olhos e sentir o mundo ao alcance da mão.
Foi mesmo uma semana perfeita !

Ooooooopsss

Bem, parece que me despistei. Desde Maio muito tempo passou e muita coisa aconteceu. De 28 de Maio a 28 de Setembro foram quatro meses completos de silêncio que aqui terminam. Quatro meses foram 120 dias inteiros, 1880 horas que fluíram à velocidade típica do decaimento do tempo. Não vou fazer um relatório do que passou, muito menos um balanço. Não vou justificar a ausência com desculpas esfarrapadas. Não tenho escrito simplesmente porque não tenho estado para aí virado e por vezes os nossos caprichos são justificação suficiente para as nossas acções. Fui desafiado a voltar e, como de costume, mantenho uma atracção irresistível para com os desafios.
Espero contar com a vossa presença assídua, mas mesmo sem ela, a minha será uma realidade e, como é sabido, quando o resto falha, somos nós que temos que tomar a dianteira. O Despistagens renasce hoje, numa manhã de tempestade e trovoada porque de calmaria já estou eu farto.

Portugal e o futuro


Há um mal estar generalizado neste país. Nem é preciso tomar atenção aos noticiários da TV nem ver a 1ª página d´”O Público”, esse jornal de referência convertido no último baluarte da liberdade e da democracia num país asfixiado pela ditadura da propaganda governamental. Basta sair de casa. Basta ir a um café e ouvir as conversas, basta ver o ambiente nas repartições públicas, ir às urgências de um hospital, passar umas horas numa sala de professores.

Portugal vive numa psicose colectiva que é acima de tudo, e principalmente, da responsabilidade de um governo que atropela todos os direitos cívicos, viola todas as regras de convivência política que marcaram dezenas ou centenas de anos da nossa história. O grande mal deste país resume-se a uma postura de quem deveria zelar pelos nossos interesses e teve a suprema lata de os enfrentar. Não interessam muito as finalidades do rumo político impresso desde 2005, nem sequer interessa a legitimidade democrática de quem o imprimiu, o que interessa é que NINGUÉM tem legitimidade para alterar o que existia e, certo ou errado, justo ou injusto, satisfazia os nossos desejos e ambições. A sustentabilidade de Portugal como país é muito relativa, a viabilidade económica é um problema que só interessa a meia dúzia de iluminados sentados em Lisboa com gabinetes recheados e pagos principescamente. Ao comum dos cidadãos palavras e termos como défice, contas públicas, balança comercial, ciclo económico não passam de balelas inventadas para oprimir os pobres, honestos e esforçados trabalhadores e contribuintes portugueses.

Não interessa se o país gasta mais do que produz, a existência de privilégios em algumas castas profissionais é natural e, se algo corre mal, a culpa é sempre dos outros, porque todos, eu incluído, somos exemplos de dedicação, entrega patriótica e profundo e desinteressado profissionalismo. Criou-se um dogma em Portugal de que governar à esquerda é dar tudo a todos sem controle nem justificação. Criou-se um dogma em Portugal que impôr regras, justificar gastos e planificar o futuro é património histórico da direita. Estes dois dogmas assassinos têm como resultado a impossibilidade ideológica de alguém pretender criar uma estabilidade económica para com isso pagar políticas sociais. Estes dois dogmas injustos tornam imoral, contra-natura e herética qualquer política de um partido de esquerda que queira reformar o estado, rentabilizar a economia e mudar o futuro porque, para muitas das pessoas da esquerda honesta, campo no qual qualquer apoiante do actual governo não tem assento, o governo deve ser apenas um distribuidor de riqueza, um garante de direitos e, NUNCA, um exigente de responsabilidades.

Quando oiço os revoltados cidadãos portugueses clamar a sua raiva e frustração contra o tirânico governo de José Sócrates, penso nas alternativas e chego à conclusão que Portugal ainda não bateu no fundo. O controle do défice não foi importante porque o país deveria gastar o que quizesse, tendo em conta sempre o bem estar dos seus cidadãos, o aumento do desemprego é um crime porque a reconversão da indústria não é importante, o ataque a alguns privilégios corporativos é uma violação de direitos básicos porque todos temos direito a tudo, independentemente do que façamos para o merecer.

Hoje sou um homem novo, fruto desta aprendizagem que tive nos últimos três anos. Ao diabo com toda a racionalidade e ponderação nas contas públicas. Estou farto de, como cidadão, sofrer para que um país de dez milhões de cidadãos seja viável. Quer as coisas estejam boas ou más, a única coisa que me interessa é a minha parte e, como tal, quero a governar-me alguém que assegure essa minha parte e os outros que se amanhem. Já que José Sócrates não passa de um direitista que tomou por uma OPA o Partido Socialista, já que o controle do défice é política de direita, já que o aumento dos subsídios de maternidade, o aumento das pensões de sobrevivência, o maior aumento de sempre no salário mínimo, a inclusão da caríssima vacina contra o cancro do colo do útero no plano nacional de vacinação, a generalização dos meios informáticos a estudantes, entre outras são tudo políticas nas quais a esquerda não se revê, então que venha um político de esquerda a sério tomar conta do país.

Se tudo correr bem nas próximas eleições teremos Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã a governar Portugal em aliança com a campeã dos direitos sociais que é Ferreira Leite. Poderemos então ter um governo que dará aos sindicatos tudo o que pretendem, mas a todos os sindicatos e não só aos de uma determinada classe profissional. Desejo ardentemente ver aumentos salariais de 10% para todos os trabalhadores, desejo ver todos os profissionais progredirem na carreira automaticamente e sem qualquer forma de avaliação até todos atingirem o topo, e de preferência dez anos antes da reforma. Quero ver as farmácias com o monopólio de venda de medicamentos, as férias judiciais em dois meses completos e o sistema de protecção social das forças policiais e forças armadas reposto porque ele DEVE contemplar não só os seus beneficiários a 100% como também os seus familiares incluindo os por afinidade. Quero um hospital em todas as sedes de concelho e um centro de saúde e maternidade em todas as sedes de freguesia porque a qualidade dos serviços de saúde e a mais baixa taxa de mortalidade infantil da Europa se devem à proximidade dessas estruturas e não à qualidade do serviço fornecido em infra-estruturas especializadas. Quero subsídios para os nossos agricultores, pescadores, operários e vinicultores, subsídios esses a distribuir em função das suas intenções e não da sua produção porque é sabido que em cada português há um trabalhador honesto e incansável e a sugestão de que alguns poderão tentar viver de benefícios é caluniosa e anti-patriótica.

É este o governo que quero ver no futuro para o meu país, embora deseje sinceramente ter emigrado antes de isso acontecer. Quando Portugal chegar ao ponto em que chegou a Argentina há poucos anos atrás, quando o país falir e o banco de Portugal fechar, quando os sálarios dos funcionários públicos não forem pagos, as transacções internacionais congeladas e os bancos cancelarem os empréstimos e cobrarem no próprio dia as dívidas, então alguém pensará se o rumo foi o correcto. Octávio César Augusto escreveu à cerca de 2000 anos atrás que “ para lá dos Pirinéus há um povo que não se governa nem se deixa governar”. Na altura referia-se à resistência dos bascos mas hoje, 2000 anos depois é a outro povo que essa máxima presciente se deve aplicar. O meu instinto sádico leva-me a escrever que este país merece ter o governo que deseja, mas a réstia de sentimento patriótico que ainda tenho, e já não é muito, leva-me a combater diariamente esse fado lusitano, essa atracção pela catástrofe que nos leva a pensar como indivíduos ou como membros de uma casta e, como consequência, ignorar o bem comum.

Sinceramente já não sei por que razão continuo a tentar convencer-me com estas tretas, o melhor é ser como os outros e ir na corrente, no final de tudo, alguém aparecerá para fechar a porta.

José Sócrates ?!? Estou farto desse tirano direitista e lacaio do capital.

Que venham os verdadeiros homens de esquerda !

25 de Abril

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Os miúdos e o desporto

Há poucas coisas de que goste tanto na escola como de ver os miúdos nas aulas de Educação Física.

Com todas as alterações que houve no ensino nos últimos anos, quer se queira quer não, foi criada uma barreira que apesar de fictícia, existe. Há as disciplinas prioritárias, aquelas que são sujeitas a avaliação externa, como a Matemática e a Língua Portuguesa, as outras teóricas e finalmente as chamadas “expressões” que quase só existem para passar o tempo.

Compreendo a preocupação com as duas disciplinas consideradas como fundamentais para tudo mas nunca aceitarei o menosprezo com que as “expressões” têm tendência a ser tratadas. Acredito sinceramente que a formação plena de qualquer aluno passa por todas as vertentes e se acham que me estou a armar em “homem renascentista” devo dizer-vos que esta minha opinião é resultado do que tenho visto em todas as escolas onde trabalhei nos 11 anos de ensino que tenho.

Voltando ao início, é no desporto que sinto os miúdos mais livres. É como se por um passo de mágica, a entrada em campo formatasse toda a realidade em que vivem. Já vi alunos que ninguém dá nada por eles agigantarem-se ao entrar num campo. Já os vi olhar a bola com um olhar de paixão e desejo que não vejo em muitos adultos.

Um professor meu de Educação Física ensinou-me há muitos anos atrás que o desporto é a forma mais civilizada que um ser humano tem de provar a outro que é melhor do que ele, daí o esforço hercúleo que acho que todos devemos ter em ensinar que há limites que não se ultrapassam na competição desportiva.

Aqui em Aljezur, que é onde tenho o previlégio de ensinar há alguns anos, vejo continuamente, dia após dia, fenómenos de heroísmo realmente comoventes. Há um miúdo com uma vida de inferno em cima dos ombros que num campo de futebol flutua acima de tudo e voa mais alto que os seus próprios sonhos. Há outro que nunca conheceu o conceito de familia, que ninguém o quer por perto na realização de trabalhos escolares mas, durante um jogo que corre mal, todos chamam por ele porque é em quem mais confiam. Vi uma miúda acelerar os patins para além do expoente do racional sem se preocupar se conseguiria travar antes da próxima curva para ganhar uns centésimos de segundo na luta pela vitória.

Todos eles se transfiguram quando são colocados perante o desafio de serem os melhores ou os primeiros dos últimos. Vivem a jogada com a entrega do destino, vencem as dificuldades com o desespero dos condenados e entregam em cada lance tudo o que são. Fintam as tristezas, passam a felicidade, rematam como se a sua vida dependesse disso e atacam o cesto saltando mais alto do que qualquer barreira que se lhes levante.

Muitos não têm um lar em que se revejam, outros querem arrancar de quem os vê o carinho, amor e ternura que nunca conheceram até aquela jogada genial por todos aplaudida, muitos outros estão no campo como gostariam de estar na vida, seguros, decididos e apoiados.

Adorava poder ensiná-los a transportar para a vida os princípios que aplicam naturalmente no desporto. Tento, e tento e continuo a tentar mas é através do desporto que sonham no intervalo do pesadelo que são as suas vidas. O campo é o seu horizonte, a bola é a sua amante e a vitória o seu lema.

Podemos medir a sua maturidade pela forma como se dedicam aos estudos, às notas e à preocupação com que planeiam o seu futuro, mas, o seu carácter é no campo que se revela. Na forma como enganam o destino com uma finta, na forma como se jogam a uma bola para que aqueles que neles depositaram confiança não sofram um golo, na concentração que aplicam no arco para que a sua seta atinja um sonho.

A vida pode tê-los condenado a um inferno ainda antes de terem nascido, a familia pode não ter existido, aqueles que tinham a obrigação de os proteger podem ter sido os que lhes fizeram mal, mas, dentro do campo, só eles mandam em si próprios. No campo eles afirmam-se e afirmam o seu grito de raiva contra as adversidades. O campo é o seu universo e eles governam-no como Heróis, como Deuses, como Titãns.

No bom caminho

Desta vez não podia estar mais de acordo com Daniel Oliveira. Liberdade e independência para os sindicatos, para que saibamos de uma vez por todas quem diz que fala em nosso nome.

O parlamento de Pristina decidiu unilateralmente decretar a independência do Kosovo. Estimulados pelo apoio Americano e nada incomodados pela divisão que se verifica na Europa, o Kosovares, na minha opinião, lançaram mais uma boa dose de gasolina no braseiro que são os Balcãs.
Depois dos resultados prometedores das eleições Sérvias que deram o poder aos moderados, o aceitar desta independência unilateral poderá devolver o governo aos nacionalistas por mais uma geração. Além deste facto, acredito que o processo de aproximação entre a Sérvia e a União Europeia terá terminado anteontem e não faltará muito para assistirmos a uma Sérvia a gravitar em torno da Rússia.
Para terminar todo este panorama, não é de subvalorizar o papel que esta independência terá nos movimentos separatistas existentes na Europa, como por exemplo os Bascos.
Dificilmente a União Europeia poderia ter piores noticias neste início de ano.

Brigadas Vermelhas

Sobre o escarro que foi a micro manifestação da Sábado no Largo do Rato, faço minhas as palavras de Tomás Vasques

«Receita de Ano Novo»

«Receita de Ano Novo»

«Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre».

Rui Costa

Há noites assim. Felizmente ainda há, muito esporadicamente, jogos e jogadores que nos fazem lembrar que o futebol pode ser mais que um simples desporto. Não vou aqui fazer uma análise ao jogo com a Naval, isso já muitos bem melhores do que eu o fizeram numa dezena de jornais e numa centena de blogs. O que me interessa no que se passou na Luz está relacionado com um jogador, o tal de quem treinadores, adeptos e, até, um palerma cheio de dinheiro, disseram estar acabado e ser apenas uma espécie de amuleto sem utilidade prática para o plantel.
O seu nome é Rui Manuel César Costa e, confesso, não me lembro dele antes do penalti que decidiu a vitória de Portugal no mundial de 1991. Nessa altura não ligava muito ao futebol por isso não sei quando se estreou pelo Benfica, quem o lançou, nem muito menos se mereceu ir rodar para o Fafe ou se tal foi uma profunda injustiça. Lembro-me da sua cavalgada furiosa em direcção às bancadas da Luz para festejar com os adeptos a conquista do trono mais elevado do mundo para o seu escalão etário. Lembro-me dessa sua força imparável, dessa sua garra que parecia vir do fundo da sua alma, que parecia ser a sua alma. Rui Costa tornou-se rapidamente no símbolo de um Benfica em constantes convulsões internas, e quando do polémico verão quente e da debandada de alguns jogadores, questionado sobre a hipótese de, também ele sair a custo zero, a sua resposta foi clara : " NUNCA ".
Rui Costa saiu, naquele que foi o melhor negócio de sempre até então para o Benfica. Emigrou mas parte de si nunca saiu do 3º anel, e nunca se escusou de afirmar que um dia voltaria. Espalhou a sua classe por campos e campeonatos, ganhou títulos, mereceu elogios e conquistou adeptos. Pelo caminho voltou à Luz e marcou-nos um golo, um dos golos mais emblemáticos da sua vida pois mostrou ao mundo que apesar de se esforçar pela vitória do seu "patrão" não deixava de sofrer pelo seu clube de sempre.
Rui Costa voltou, como sempre prometeu fazer, dando um exemplo raro de um jogador que não se assume como profissional da bola, mas apenas como um Benfiquista que joga bem futebol e, como tal, só poderia acabar a sua carreira na única verdadeira casa que teve na vida. O seu regresso foi saudado por muitos e criticado por tantos. Diziam que vinha ganhar a reforma, que precisava de muletas e cadeiras de rodas e que o Benfica jogaria com menos um jogador em campo. O resultado está à vista. Sábado de noite, tal como desde o início deste ano, jogou e fez jogar. Defendeu e atacou, passou e cruzou, rematou, assistiu e marcou um daqueles golos que desafiam a lei do esquecimento. Mais lindo ainda que isso, brincou, falou com o público, saltou aplaudiu e fez com que nunca nos esquecêssemos que é um de nós. O seu sorriso ao fazer uma vénia às bancadas é uma estátua, um monumento à simplicidade e alegria de um Homem que com uma bola nos pés continua a ser um miúdo.
Rui Costa nunca se afirmou como uma estrela, preferindo sempre dar valor à constelação de que faz parte. Rui Costa marcará o imaginário de uma geração que viu o futebol tornar-se num negócio e os jogadores em funcionários pagos principescamente para trocar de camisolas ao sabor das comissões dos seus empresários, como um dos últimos moicanos do tempo em que uma camisola era um contrato para a vida.
Voa Rui, dentro e um dia fora dos relvados, voa nas asas dessa tua águia de sempre. Voa para a eternidade e deixa-nos essa maré enorme de recordações de um miúdo com asas nos pés, a baliza entre os olhos e o emblema do Benfica tatuado no coração, que um dia nos conquistou a todos.
Se o futebol fosse um Deus, tu Rui serias o seu último profeta.
Abençoado sejas e obrigado por tudo.

Tão amigos que eles são

Segundo informações veiculadas em vários jornais desportivos, pinto da costa ligou a Madaíl várias vezes no intuito de este despedir o treinador Brasileiro que se encontra ao serviço da selecção Portuguesa, da Caixa Geral de Depósitos e nem sei bem de quê mais.
Acho estranha essa atitude e só posso compreendê-la se pinto da costa estiver com medo de perder o monopólio da estupidez, arrogância, brutalidade e selvajaria.

Inicia hoje no bar Catita em Olhão e dura todo o mês de Setembro. Apareçam, é a não perder.

Café Enigma

Não sei bem o que me levou a lá entrar. Sei que foi o primeiro dia da minha vida em Braga. Sei que saí da Universidade em Gualtar e vim a pé até ao centro da cidade. Sei que me senti cansado e sedento e entrei num centro comercial com um aspecto esquisito. Lá no fundo encontrei um café onde me sentei e comi uma tosta para enganar a falta do almoço e bebi duas colas.
O café chamava-se Enigma e ainda hoje é um enigma para mim a razão pela qual o escolhi para descansar. Passada uma semana começaram as aulas e daí a começar a fazer amizades entre os colegas de Braga foi um instante. Um dia combinámos uma saída à noite e alguém, sinceramente não me recordo quem, escolheu o Enigma como ponto de encontro. Rapidamente o café se tornou a sede não oficial das nossas saídas nocturnas e daí a tornar-se a sede oficial do nosso curso foi uma rapidez incrível.
Os anos passaram e o Enigma manteve-se. Amigos sempre presentes afastaram-se, amigos novos criaram-se e em menos de nada o nosso grupo da universidade estava misturado com o grupo dos estudantes da Escola Secundária D Maria II.
Durante esse tempo o Enigma foi a minha segunda casa. Era lá para onde ia quando saía das aulas, era lá onde ficava quando acabava de jantar. Por lá passaram algumas das pessoas mais importantes da minha vida. O Miguel a Sandra e a minha sempre querida Sónia. Lá conheci o Rui, o Victor, Marcos, Pedro, Sousa, Judite e Filipa. Naquelas mesas tive inúmeras conversas com o Filipe e o Toni, naquelas poltronas tive discussões futebolísticas intermináveis com o Paulo e o Pinho. Lembro-me da alegria contagiante da Lili, da melancolia do Henrique e daquele monumento à Amizade que é a Cláudia, já para não falar da minha fiel companheira das conversas sobre poesia, literatura, música e qualquer forma de arte, especialmente da arte das relações humanas que foi a Cecília.
Servidos pela patroa, a D. Alice e pelas inesquecíveis empregadas Carmo e Lurdes, a juventude sorveu-se por um copo de fino e a vida devorou-se ao sabor de tostas e cachorros. Foram tantas as tardes de estudo naquelas mesas, sentado nas cadeiras mais desconfortáveis que conheci na vida, nem todas rentáveis porque as estudantes de enfermagem também tinham a mania de lá ir, e, acreditem, eram bastante mais atraentes que os apontamentos de Bioquímica, Paleontologia ou Geologia de Portugal. Lá comecei dois namoros e terminei um deles. Foram tantos os beijos roubados, inúmeros os olhares trocados, incontáveis os sonhos partilhados.
Foi no Enigma que festejei os 20 anos do PS, que soube e lamentei a morte do Ayrton Senna, que celebrei o campeonato de 93/94 do Benfica e que questionei como fôra possível aquele monumento ao futebol que foi o 4-4 com o Bayern de Leverkussen. Passei lá 4 aniversários meus e inúmeros aniversários de amigos, vivi lá o melhor e o pior que a vida tem para oferecer a jovens estudantes universitários em estágio para uma vida adulta que desejam como ar para os pulmões e lamentam amargamente depois de a ter.
Nem sei como explicar a felicidade que lá vivi nem a tristeza de a ter deixado.
Hoje, 15 anos depois, entro neste café e tudo mudou. Mudou o dono, mudou o arranjo do espaço, desapareceu o grupo que lhe deu vida no meu tempo de estudante, mas a recordação fica. Essa é minha e ninguém ma poderá algum dia tirar. O Enigma é hoje uma café moderno, bem desenhado e estruturado, quase como uma obra de arte, muito diferente do desenho artesanal antigo. Eu hoje sou um Homem diferente. Os meus sonhos de juventude e de estudante esbarraram na realidade da vida e muitos deles não recuperaram. Mas mais importante do que fazer essa análise, são as duas ou três lágrimas que derramei quando de lá saí. Foi como se estivesse numa máquina do tempo e tivesse tido a sorte de, por momentos, ter revivido muito daquilo que me fez e do qual já não me recordava. Por uma breve meia hora reencontrei todos os meus amigos e amigas, alguns deles ainda comigo, outros uma breve recordação no sótão da minha memória.
Hoje vou para casa um pouco melancólico, mas feliz como há muito não me sentia.
O Enigma ainda vive, e enquanto viver, a parte mais bonita da minha vida não morrerá !

" Eu tenho um sonho "

Foi a 28 de Agosto de 1963, foi Martin Luther King junto ao Monumento de homenagem ao Presidente Lincoln. Foi um discurso para a humanidade, para a eternidade.

«que a liberdade ressoe!»

Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.

Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.

Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.

Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.

Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.

Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.

Esta maravilhosa nova militancia que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.

Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.

Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.

Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.

Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".

Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.

Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".

E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!

Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!

Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!

Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!

Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!

Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.

Que de cada localidade, a liberdade ressoe.

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"

Ecoterrorismo

Há poucos dias atrás Portugal entrou num roteiro de países que não têm nada de se orgulhar de pertencer a esse mesmo roteiro. É verdade que o termo de Ecoterrorismo pode ser contestado e certamente que o foi por parte de alguns. Na minha modesta opinião, o título está bem atribuído. Por terrorismo, entendo a acção planeada com vista à destruição, feita com base em pressupostos religiosos, económicos ou políticos, e creio que não hajam dúvidas de que foi isso que aconteceu em Silves.
Sempre fui defensor da lei e da ordem e acredito sinceramente que um dos pilares que sustenta a nossa civilização Europeia, Ocidental e Democrática é o facto de existerem inúmeras formas de contestação a decisões e medidas em relação às quais somos adversos.
Quando um bando de energúmenos e de merdinhas mal comportadas recorre à destruição de propriedade privada alheia, não me interessam as razões que os levaram a fazê-lo, interessa-me o facto de eu poder ser o próximo se outro qualquer grupo de aborígenes entender que não gosta do facto de eu fumar, da roupa que visto ou da côr do meu carro. Em situações destas, há uma linha traçada na areia e de um lado estão as pessoas que entendem como uma democracia funciona e do outro lado estão os pós revolucionários que em nome dos novos amanhãs que cantam acreditam tudo ser possível para impôr a sua visão iluminada de um admirável mundo novo.
Discutir o número de agentes da GNR presentes ou a postura por eles assumida é como olhar para o acessório e não entender o essencial. Pôr em causa o governo numa situação como a ocorrida é jogar o jogo do populismo bacoco e retrógrado que tanto pasto tem tido neste país.
Em Silves houve uma batalha. Foi uma batalha entre a civilização e a barbárie, entre a ordem e o caos, entre a lei e a selvajaria. Não me interessa sinceramente a história dos transgénicos, não me interessaria nada do que se passasse naquela horta, o que me interessa é o facto de eu viver numa sociedade que é, ou pretende ser, justa, democrática e civilizada, e numa civilização dessas existem forças policiais que, em nome da lei e da constituição aplicam as regras estabelecidas. Não me interessa o que se planta naquela horta, o que me interessa é que, se alguma ilegalidade for cometida, as forças policiais, em nome do poder judicial ao qual respondem serão chamadas a intervir. O que me interessa é que desde o momento em que a porta do poder popular e da selvajaria das massas for aberta, jamais será fechada. Ontem foi por causa dos transgénicos amanhã será por que causa ?
Quem nos poderá tranquilizar quanto ao próximo alvo de uma brigada fascizoide de vigilantes que não gostam de algo que façamos e que esteja disponível a agir em nome próprio, ou mais grave ainda, em nome de um qualquer pressuposto ideológico para o qual se acham representantes terrenos de um dogma superior.
Acções destas só podem ser combatidas levando os responsáveis a prestar contas perante a lei que não tiveram pejo em escarrar publicamente. Temos que o fazer, como povo e como sociedade, porque a alternativa, embora simpática pontualmente para alguns, será trágica futuramente para todos.

Tratado de Tordesilhas

Mais um evento histórico que vale a pena recordar. A 7 de Junho de 1494, D João II de Portugal e os reis católicos de Castela e Aragão sentaram-se e patrocinados pelo papa da altura, também ele Castelhano, dividiram o mundo descoberto e a descobrir entre os dois países Ibéricos.
Aquilo que pode ser considerado como uma das maiores arrogâncias da história foi o ponto mais alto da política externa Portuguesa e o expoente máximo da nossa diplomacia na geoestratégia mundial. Há quem diga que foi um excelente negócio para Castela, que ficou com um continente quase inteiro ao seu dispôr, eu sou defensor da teoria que D João II conseguiu tudo o que quis e cedeu tudo o que achava dispensável. Portugal ficou com a rota da Índia segura, afastou os comerciantes e piratas Castelhanos das feitorias africanas e conseguiu uma importante presença na América do Sul através das terras de Vera Cruz, o actual Brasil. Na defesa desta teoria do embuste tecido pelo nosso D João II está a teoria segundo a qual Cristovão Colombo terá trabalhado em favor de Portugal, teoria essa ainda muito posta em causa mas cada vez com mais seguidores. Independentemente das polémicas, a assinatura do tratado de Tordesilhas foi o momento que marcou a política externa Europeia durante pelo menos 150 anos. Podemos achas pouco, dada a imensidão da história, mas se olharmos a outros momentos chave da história da Europa, como por exemplo, o tratado de Westfalia, o tratado de Viena ou a paz de Versalhes e compararmos o tempo que ambos duraram com o tempo que o tratado de Tordesilhas esteve em vigor, podemos ver o quão importante para a história foi o dia 7 de Junho de 1494.

Queda de Constantinopla

Fez ontem 554 anos da queda da cidade de Constantinopla às mãos dos turcos Seldjucidas. A antiga capital do império Bizantino encontrava-se à largos anos em decadência e o outrora imponente império, descendente directo do império romano do oriente, já estava reduzido apenas à sua capital que caiu em 30 de Maio de 1453.
Esta queda marcou o final da idade média, e a fuga generalizada de escritores, escultores, pintores, entre outros para as cidades italianas deu origem a um redescobrir da cultura clássica Grega e acelerou a passos largos o renascimento italiano.
Para os turcos e para o islão, esta conquista marcou a sua reentrada na Europa, depois dos progressivos revezes que culmiram com a sua expulsão da península ibérica, consumada em 1492 com a queda de Granada. Despois de Constantinopla, seguiu-se a conquista da Grécia e dos Balcãs, tendo a maré turca atingido mesmo Viena por duas vezes onde foi travada.
Hoje, mais de 5 séculos depois fala-se novamente da entrada da Turquia na Europa, se bem que de forma completamente diferente. O tema suscita paixões e a maior parte das reacções são mais emotivas do que racionais. Voltarei a esse tema daqui por uns dias. Por hoje resta-me comemorar a data que marcou o final da longa noite que se abateu na Europa, chamada Idade Média.

Assim morre uma Democracia

Há quem diga que foi há muito tempo, mas para mim foi anteontem que a Venezuela atravessou o ponto de não retorno na sua constante caminhada para o totalitarismo. De uma forma planeada e progressiva Chavez tem levado a sua revolução Bolivariana a suprimir liberdades e garantias dos seus cidadãos, o direito à prática de oposição e a promover uma intimidação económica e social contra os seus opositores. Desta vez desencadeou um ataque à imprensa livre ainda existente e cujo símbolo emblemático era o mais antigo canal privado venezuelano. Quero ver depois de mais este episódio se ainda vão aparecer por cá uns fósseis a defender Chavez, só porque ele enfrenta o imbecil inquilino da Casa Branca.

Momentos Naturais

Além de Biólogo por formação, tenho uma paixão inexplicável pela natureza. Sempre gostei de assistir e de conhecer a sua forma muito própria de funcionar, forma essa que não pode ser comparada com as regras da nossa sociedade, mas que deve ser preservada como um património da humanidade, pois para os mais esquecidos, foi na natureza que a nossa espécie nasceu e sobreviveu, muito antes de ter começado a considerar a natureza como sua propriedade privada.
Descobri há uns dias atrás um blog dedicado apenas à divulgação de fotos sobre essa natureza que convive connosco diariamente, apesar de nos darmos ao luxo de só a tentar conhecer em programas de televisão.
No blog momentosnaturais.blogspot.com podemos encontrar um pouco daquilo que nos pertence e do qual fazemos parte. Pela Objectiva de Pedro Koch, podemos quase nos lembrar de quem fomos e do extraordinário e dificil caminho que trilhámos antes de nos tornarmos na espécie dominante deste planeta que, estupidamente, insistimos em assassinar em próprio proveito.
Pedro Koch é um verdadeiro embaixador, não de um país, mas de um mundo que ainda existe mesmo contra todos os nossos esforços.
Vejam, apaixonem-se e disfrutem. Aquilo existe à vossa porta, nos vossos quintais, nas nossas vidas, mesmo que não nos lembremos dele com a frequência que merece.

Que inveja !!!

Uns dias atrás em conversa com um Amigo, acabámos a falar sobre filmes. No meio do nada ele foi buscar uma caixinha de recordações e partilhou comigo um autêntico tesouro, todos os bilhetes de cinema de todos os filmes que viu na vida. Poucas vezes senti tanta inveja de alguém como dele naquele momento. Sou um cinéfilo inveterado e quem me dera a mim ter um "album" de recordações daquele calibre.
Entre as estreias da Guerra das Estrelas e as várias exibições do The Wall, entre os Indiana Jones e os vários 007s, passaram-me pelas mãos em 15 minutos mais de duas décadas de cinema. Foi como ver em slow motion todos os heróis da minha juventude e ele tem uma prova disso e eu apenas uma memória.
Obrigado Ilídio. Fizeste-me reviver muito do que sonhei e assisti numa sala na companhia de muitos desconhecidos. Felizmente tens como comprovar que lá estiveste, eu posso apenas falar sobre isso, e, invejar enormemente esse teu património.

Presidenciais Francesas

Correndo o risco de ter que me desdizer daqui por umas horas, creio que Sarkozy será o próximo Presidente da França. A figura não me inspira confiança nem simpatia nenhuma, ao contrário de Segolene Royal, mas a realidade é que os socialistas franceses não continuam amarrados a posições políticas que os impedem de vencer eleições.
A França é o mais estatista país da União Europeia e o PS Francês continua a viver à sombra de ideias e políticas que já não são sustentáveis. Hoje a França é uma economia que não cresce, apresenta um défice superior ao nosso e não quer fazer as reformas necessárias para inverter este rumo de paralisia.
Ironicamente Ségolene é a mais "Blairista" dos dirigentes socialistas franceses e seria a pessoa ideal para recentrar o discurso e as políticas do PSF, mas a plataforma política que apresentou a estas eleições reflectiu antes de mais a pacificação interna e as cedências que foi obrigada a fazer.
Espero que a sua derrota seja o menos pesada possível para que possa sobreviver politicamente à noite de hoje. Considero-a a pessoa certa para levar o PSF de volta às vitórias mas muito caminho ainda terá que ser trilhado antes disso.

A licenciatura de Sócrates

Não tenho mexido nem comentado o tema porque sinceramente não achei que merecesse grande importância। Não posso contudo deixar aqui três das melhores análises que li até agora: Paulo Gorjão ,Tomás Vasques e Emídio Rangel.

Gatos


Aí estão os Gatos de volta. Desta vez não foram tão elaborados como quando reduziram às gargalhas o contorcionismo argumentativo do professor Marcelo. Desta vez limitaram-se a elevar ao expoente do ridículo uma campanha já por si ridícula.
Há quem não goste deles.Há quem ache que não se deve gozar com coisas sérias. Eu cada vez mais acho muito mais perigoso levar-se a sério determinadas palhaçadas.

Força aí Gatos !!!

Grandes Portugueses

Tem havido ultimamente uma grande polémica sobre o programa televisivo " Os grandes portugueses". Chamo programa televisivo porque é o que aquilo é, um programa de televisão de entretenimento, nada mais do que isso. Não é uma realidade histórica, não é uma verdade absoluta, nem sequer é uma sondagem a nível nacional. Grande parte da discussão centra-se na importância a dar aos seus resultados. Na minha sincera opinião, eu dou-lhe alguma importância, a importância de um peido. Ouve-se, envergonha-nos, deixa um mau cheiro no ar, e depois vem o vento, e leva-o para longe, para o esquecimento.

Imbecis

Nem sei bem o que escrever. Cada vez tenho menos paciência para estes selvagens mal educados.

BlogEUA

Tenho um blog novo. O BlogEUA foi criado apenas para assuntos relacionados com a história e a política dos Estados Unidos da América. Espero que o visitem e que gostem.

Triste

Houve um encontro comemorativo da adesão de Portugal à CEE/UE patrocinado pelo Presidente da República, onde várias personalidades associadas à política externa e europeia portuguesa foram convidadas. Mário Soares, o homem que iniciou e consumou o processo de adesão, não foi convidado.
Eis uma prova como Cavaco, apesar de já não empanturrar a boca com bolo rei, pelo menos em público, continua boçal, saloio e revanchista.
Foi um triste exemplo.

Público

Lamento muito mas, depois de várias tentativas para manter a nossa relação, não dá mais. Sou leitor diário desde 3 de Agosto de 1990 mas o Público foi por um caminho para onde não o quero seguir. Hoje comprá-lo-ei pela última vez para guardar uma recordação, e uma prova de que é possível um palácio transformar-se num esgoto.

Paulo Portas fundou um jornal. Paulo Portas usou o jornal para promover a refundação do CDS, para lhe marcar a agenda e para atacar pela direita os consulados de Cavaco à frente do PSD e do país. Paulo Portas deixou o jornal e aderiu ao partido cuja criação manipulara e deu as mãos a Manuel Monteiro, cuja existência criara. Paulo Portas minou, atraiçoou e substituiu Manuel Monteiro. Paulo Portas entrou em conversações com Rebelo de Sousa com vista à formação de uma coligação e torpedeou-o no último momento. Paulo Portas foi para o governo com Durão Barroso e lá continuou com Santana Lopes. Paulo Portas demitiu-se sem que ninguém o tenha exigido e abandonou o seu partido à orfandade. Paulo Portas levou dois anos a boicotar na sombra e de forma ostensiva a liderança de Ribeiro e Castro. Paulo Portas recandidatou-se à liderança do PP prometendo vencer, refundar e liderar a direita e conduzir o nosso atormentado país ao reino dos céus e à paz de Cristo.
Com este currículo brilhante, Paulo Portas esperou um passeio triunfal de volta à liderança do seu antigo couto privado. O que ele não esperou foi que ainda existisse um “velho” CDS, genuinamente Democrata Cristão, europeísta, conservador e pouco dado a arrivismos e a populismos de feira, mesmo que vestidos com fatos de lorde Inglês.
Neste contexto, e com esta resistência, só havia uma coisa a fazer, apostar nas directas. Aqui, e ajudado pela incoerência de Ribeiro e Castro, o povo do PP poderia estender o tapete vermelho ao seu “grande líder”, mas para isso ainda havia questões estatutárias a resolver na reunião do Conselho Nacional. Como os estatutos davam razão à petição de mais de 1000 militantes para ser feito um congresso, ainda houve um recurso, o recurso à selvajaria. Num ambiente próprio de um estádio de futebol, um bando de aborígenes disfarçados de gang suburbano tentou manipular, condicionar e intimidar a reunião do órgão máximo do CDS/PP entre congressos. Maria José Nogueira Pinto não foi em golpadas e fez o que os estatutos mandaram, mesmo contra a turba inflamada e com evidentes riscos para a sua integridade física. No final foi o que se viu. Um espectáculo deplorável dado por um partido que se orgulha de pertencer ao arco governativo português. O partido que afirma, como se de uma medalha de honra se tratasse, que esteve sitiado durante um congresso no verão quente, sitiou, ameaçou, insultou e agrediu os seus próprios dirigentes numa reunião. Na mão desta mistura entre sobas africanos e caudilhos sul americanos, até o triste Manuel Monteiro passa por estadista sério e responsável.
Eis a gloriosa direita portuguesa no seu máximo esplendor.

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