Depois do desaparecimento dos liberais é a vez dos admiradores de McCain. Vale a pena ler o retrato que Pacheco Pereira fez de Obama no passado dia 4 de Fevereiro:
«Uma parte da nossa direita e de quase toda a nossa esquerda, mostra como o anti-bushismo não é bom para a qualidade do pensar. É que Obama, comparado com Hillary Clinton ou com John McCain, tem pouco lá dentro. Nem saber, nem experiência, nem consistência. Pode vir a ganhar tudo isto, mas para já não tem. Mais um produto da fábrica de plástico, jovem, simpático, bom ar, bom falador, muito teatro de convicções, e politicamente correcto na cor, nem muito preto, nem muito branco, mais um teste para a tese de Kissinger de que cada vez mais as condições para se ser eleito presidente nada tem a ver com as condições para se exercer bem o seu cargo.» [Abrupto]
Veremos o que vai dizer agora.
Se quem estiver a ler isto me conhecer de algum lado, o que é bastante provável, sabe muito bem a razão do título deste texto. Aliás, se fizesse uma sondagem a todas as pessoas que passaram pela minha vida nos últimos 15 anos e lhes pedisse que nomeassem uma característica que me identifique, tenho a certeza que “Distraído” seria a resposta natural (não tenho assim tanta certeza mas como as outras hipóteses são bem piores agarrei-me a esta).
Todas as pessoas têm momentos de distracção, é a coisa mais natural do mundo, agora quando digo que sou mesmo distraído é porque em mim esse é um comportamento que assume particular gravidade. Eu esqueço-me de quase tudo e, de acordo com as leis de Murphy, sempre nos piores momentos possíveis. Já me esqueci de códigos e passwords, desde o do multibanco ao do telemóvel passando pelo do email. Já inventei menemónicas para me recordar desses códigos, menemónicas essas que foram esquecidas tão ou mais depressa do que os códigos originais. Andei 6 meses inteiros com o BI fora de prazo e, apesar de já ter tratado da renovação, não faço a mínima ideia de onde pus o comprovativo de que estou a regularizar a situação e duvido que venha algum dia a lembrar-me do prazo para levantar o cartão novo. Já fui multado por me ter esquecido da inspecção do carro, o que visto à distância nem parece muito grave, principalmente tendo em conta que já fui chamado a tribunal por me ter esquecido de pagar a multa e até já fiquei empenado na estrada umas quantas horas por não saber onde tinha o adaptador que me permitiria desapertar as rodas para trocar o pneu.
Como professor que sou, tenho inerente à minha licenciatura um mestrado em burocracia aplicada e um doutoramento em preenchimento de papeis inuteis. Obviamente que chumbei nos dois com olímpica mediocridade visto que tenho uma tendência natural para perder papeis, ou, no mínimo, esquecer-me de os preencher ou até mesmo não saber onde os pus depois de os ter preenchido correctamente. O facto de ter conseguido dar umas aulinhas no intervalo da burocracia durante onze anos e não ter sido preso só se justifica partindo do princípio que alguém andou mais distraído do que eu. Não tenho o sentido de perspectiva que permite à maioria das pessoas no domingo à tarde saberem exactamente o que vão fazer quinta-feira às 17h43m. Eu não tenho essa capacidade de organização, facto que já me levou a comprar uma agenda para me ajudar há uns anos atrás e, em minha defesa, tenho a dizer que precisei de três semanas inteiras para a perder.
Já preparei surpresas que me esqueci de fazer e também já comprei prendas que não me lembrei de oferecer. Se algo ou alguém me aborda ou interrompe à porta de uma cantina ou restaurante dou comigo por vezes a pensar se estaria a entrar ou a sair sem ter a certeza de já ter comido. Quando interrompo a leitura de um livro é frequente não saber bem onde ia e, apesar de mais raro, também já aconteceu não me lembrar do livro que estava a ler.
Tenho funções novas este ano, estando destacado na Direcção Regional de Educação. O edifício da DREALG é das construções mais simples que alguém possa imaginar. É um quadrado com todos os seus 4 lados e com 4 ângulos rectos inteirinhos. É daquelas construções onde é impossível uma pessoa perder-se porque, mesmo que se perca, caminhando na mesma direcção encontra sempre a saída. A primeira vez que vim cá apresentar-me, ao dirigir-me para a rua, obviamente perdi-me e só fui encontrado na segunda feira seguinte de manhã por uma equipa do CSI Miami escondido atrás de uma porta a comer a terra dos vasos. Não pensem que esta é a única história que tenho no emprego novo. Na semana seguinte a picar o ponto (basicamente corresponde a passar um dos dedos previamente definidos numa maquineta, o que é óptimo porque me obriga a ter as mãos lavadas pelo menos duas vezes por dia) as coisas não estavam a funcionar bem. Passei vezes sem conta o dedo pré-definido e nada, parti logo do princípio que me tinha esquecido do dedo certo e como tal, passei os outros nove, a ponta do nariz e quando me começava a descalçar para passar os dedos dos pés alguém me disse que tinha que carregar na tecla #, facto que obviamente já tinha olvidado. No meio de todos estes desastres de planificação de gestão diária, devo referir que não costumo esquecer-me de comparecer a encontros e que nesse aspecto sou religiosamente pontual, mas, conhecendo-me como me conheço, isso não é uma virtude e aposto que é apenas porque me esqueço de chegar atrasado.
Nunca compreendi muito bem o quê é que as pessoas têm contra os distraídos. Aliás, considero que chamar a alguém de distraído é uma atitude um pouco arrogante porque o que estamos a afirmar é que nos sentimos incomodados pelo facto de a outra pessoa ter a lata de estar concentrada em algo diferente do que nós queriamos. No entanto, o que me leva mesmo à loucura são as pessoas que atribuem este tipo de situações à falta de responsabilidade ou imaturidade. Quem raio são vocês que não se apercebem de um pôr do sol se não o marcarem na agenda para me acusar do que quer que seja ? Irresponsável ? Eu ??? Não me lixem pah !
Como escreveu uma amiga de um amigo comum num comentário no meu blog : “ … afinal de contas cada um não é um … somos muitos dentro de um só…”. É exactamente o que ando a querer explicar há anos. Carrego em mim muitas vertentes e muitas facetas e, confesso, tenho alguma dificuldade em pôr em prática a correcta no contexto certo. Sou o professor e o político, o amigo das galhofas e o tipo das conversas sérias. Sou o desprendido e o apaixonado, o bonacheirão, o colérico e, segundo alguns, até mesmo o poeta, o romancista e o guru. Sou-o todos os dias apesar de vós normalmente apenas repararem no que mais vos agrada ou no que mais detestam. Como escreveu José Gomes Ferreira, sou como uma nuvem que a todos parece uma coisa diferente, sendo que muito dificilmente algum de vocês consegue ver a panorâmica completa.
Se me acham distraído é porque não tenho medo nem receio de ceder à minha complexidade. Se acham as minhas atitudes irresponsáveis, experimentem pensar que quando devia estar a preencher um papel estou a pensar num problema da minha Junta de Freguesia, quando devia estar a comer estou a sonhar, quando devia estar concentrado a olhar-vos olhos nos olhos durante uma conversa estou apenas a tentar resolver um problema que apareceu no trabalho e ao qual não liguei nenhuma porque estava a apaixonar-me por alguém que ainda não descobri se existe.
Chamem-me distraído, infantil, imaturo e irresponsável, estejam à vontade, já nem sequer quero saber. Posso até levar a mal num primeiro momento mas mais cedo ou mais tarde vou-me esquecer, a vida é bela demais para guardar lastro em cima dos ombros e eu, o que quero verdadeiramente é ser feliz. Para quê que me vou chatear por não ver o sol brilhar até ao último dos seus dias tendo a certeza que ele brilhará até ao último dos meus ?
A crise do grande capital financeiro como foi prevista por Chico Buarque
0 comentários Colocado por Nicolae Santos às 14:59O Malandro
Chico Buarque
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
Passei lá muitos fins de tarde e algumas noites mas nunca me tinha apercebido com tanta clareza que aquela aldeia foi construída sob alicerces de ternura e de carinho.
Foi uma tarde muito agradável.
Debate entre candidatos à Vice-Presidência Americana
0 comentários Colocado por Nicolae Santos às 15:16Love is noise
Will those feet in modern times
Walk on soles that are made in China?
Feel the bright prosaic malls
And the corridors that go on and on and on
I was blind - couldn't see
We are one incomplete
I was blind - in the city
Waiting for light wind to be saved
Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again
Will those feet in modern times
Understand this world's affliction
Recognise the righteous anger
Understand this world's addiction?
I was blind - couldn't see
What was here in me
I was blind - insecure
I felt like the road was way too long, yeah
Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm feeling again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again, again, again, again, again
Cause love is noise, love is pain
Love is these blues that you're feeling again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again, again
Will those feet in modern times
Walk on soles made in China?
Will those feet in modern times
See the bright prosaic malls?
Will those feet in modern times
Recognise the heavy burden
Will those feet in modern times
Pardon me for my sins
Love is noise
Come on
The Verve
Hoje sinto-me assim. Travem-me se puderem !
Fala do Homem nascido
Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci
Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr
Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham
Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu
Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar
In Teatro do Mundo, 1958
http://www.youtube.com/watch?v=E0PkIO1SmO8
My love and I, we work well together
But often we're apart
Absence makes the heart lose weight, yeah,
Till love breaks down, love breaks down
Oh my, oh my, have you seen the weather
The sweet September rain
Rain on me like no other
Until I drown, until I drown
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down, when love breaks down
My love and I, we are boxing clever
She'll never crowd me out
Fall be free as old confetti
And paint the town, paint the town
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down
You join the wrecks
Who leave their hearts for easy sex
When love breaks down
When love breaks down
"O mesmo Pacheco Pereira que elogiava Sócrates no tempo em que Menezes liderava o PSD e metia o símbolo do partido de cabeça para baixo no seu blogue decidiu agora mudar de ideias e detestar Sócrates, aliás, o seu ódio a Sócrates é proporcionalmente inverso aos resultados de Manuela Ferreira Leite nas sondagens. E coimo as sondagens têm vindo a remeter a líder do PSD para o patamar que merece, apesar de seguir religiosamente os conselhos de JPP ao ponto de parecer uma marionete, o guru arde de ódio.
Agora escolheu o Magalhães para dizer tudo o que vem à cabeça, não percebendo que a sua opinião só chegam aos que normalmente não mudam de opinião. Perdeu o controlo ao ponto de comparar o primeiro-ministro com Valentim Loureiro, o seu camarada que "dava frigoríficos e outros electrodomésticos", classifica Sócrates como "um típico tecnocrata, mais autodidacta do que com uma formação profissional sólida", suspeita de "obscuridades sobre como este projecto apareceu", quer saber se "saber se a distribuição de computadores individuais para as crianças do ensino básico tem sentido pedagógico e utilidade no combate à info-exclusão".
É ridículo ver um Pacheco Pereira que há uma semana só estava preocupado com a nacionalidade do Magalhães e o destaque que a comunicação social, vem agora manifestar muitas preocupações com as questões pedagógicas. Anda há mais de duas semanas a protestar contra o Magalhães e só agora se preocupa com as criancinhas?
A verdade é que JPP está a sofrer de uma grave crise de dor de corno, deve doer ver o PS sobreviver aos preços dos produtos alimentares, aos preços dos combustíveis, aos boicotes dos camionistas, à vaga de crimes e à crise financeira, enquanto a sua Manuela Ferreira Leite se afunda nas sondagens, com medo de falar e de apresentar as suas ideias.
É ridículo ver um Pacheco Pereira desesperado, ouvindo as piadas de Luís Filipe Menezes, vendo Marques Mendes roubar o protagonismo à líder do PSD, enquanto o PS sobrevive e o PSD de Manuela Ferreira Leite definha. Ele sabe que o que conta são as eleições e que vai ser o maior derrotado, foi ele que inventou a ideia de que com a Manuela Ferreira Leite o PS não alcançaria a maioria absoluta. Parece que já o percebeu, só isso o pode levar a ter tanto ódio contra o coitado do Magalhães."
in Jumento
O melhor de tudo estava para começar na segunda feira. O trabalho arrancou à velocidade do desespero e antes do final do dia houve sessões de entrega de PCs Magalhães para organizar e assistir e ainda uma reunião política de noite que correu melhor que as minhas melhores esperanças. Terça e Quarta feira foram passadas num regime de trabalho intensivo devido a uma acção de formação onde estive presente mas nem a noite mal dormida diminui a sensação de dever cumprido pelo sucesso dos trabalhos. Quinta Feira deu para respirar fundo, mas apenas durante a manhã. De tarde o trabalho voltou a afogar a respiração mas com um jantar e peça de teatro à sobremesa no horizonte, nem isso me tirou o sorriso do rosto. Sexta Feira foi o grande dia da inauguração das infra-estruturas do Plano Tecnológico Educativo na Escola Secundária Pinheiro e Rosa e, depois de um grande dia só mesmo uma grande noite que começou com música antiga em Querença e acabou com uma sinfonia de chuva e trovoada algures no campo do concelho de Loulé.
Há muita gente que teme a felicidade como se de uma doença se tratasse. Talvez não tanto a felicidade mas sim o risco que está inerente à sua procura. Há quem tema sentir-se feliz por ter pavor do dia seguinte. Eu, sinceramente, só tenho mesmo medo é de não ter a capacidade de vos explicar como é bom sentir mais do que sangue a fluir nas veias, ver a vida com um brilho nos olhos e sentir o mundo ao alcance da mão.
Foi mesmo uma semana perfeita !
Espero contar com a vossa presença assídua, mas mesmo sem ela, a minha será uma realidade e, como é sabido, quando o resto falha, somos nós que temos que tomar a dianteira. O Despistagens renasce hoje, numa manhã de tempestade e trovoada porque de calmaria já estou eu farto.
Há um mal estar generalizado neste país. Nem é preciso tomar atenção aos noticiários da TV nem ver a 1ª página d´”O Público”, esse jornal de referência convertido no último baluarte da liberdade e da democracia num país asfixiado pela ditadura da propaganda governamental. Basta sair de casa. Basta ir a um café e ouvir as conversas, basta ver o ambiente nas repartições públicas, ir às urgências de um hospital, passar umas horas numa sala de professores.
Portugal vive numa psicose colectiva que é acima de tudo, e principalmente, da responsabilidade de um governo que atropela todos os direitos cívicos, viola todas as regras de convivência política que marcaram dezenas ou centenas de anos da nossa história. O grande mal deste país resume-se a uma postura de quem deveria zelar pelos nossos interesses e teve a suprema lata de os enfrentar. Não interessam muito as finalidades do rumo político impresso desde 2005, nem sequer interessa a legitimidade democrática de quem o imprimiu, o que interessa é que NINGUÉM tem legitimidade para alterar o que existia e, certo ou errado, justo ou injusto, satisfazia os nossos desejos e ambições. A sustentabilidade de Portugal como país é muito relativa, a viabilidade económica é um problema que só interessa a meia dúzia de iluminados sentados em Lisboa com gabinetes recheados e pagos principescamente. Ao comum dos cidadãos palavras e termos como défice, contas públicas, balança comercial, ciclo económico não passam de balelas inventadas para oprimir os pobres, honestos e esforçados trabalhadores e contribuintes portugueses.
Não interessa se o país gasta mais do que produz, a existência de privilégios em algumas castas profissionais é natural e, se algo corre mal, a culpa é sempre dos outros, porque todos, eu incluído, somos exemplos de dedicação, entrega patriótica e profundo e desinteressado profissionalismo. Criou-se um dogma em Portugal de que governar à esquerda é dar tudo a todos sem controle nem justificação. Criou-se um dogma em Portugal que impôr regras, justificar gastos e planificar o futuro é património histórico da direita. Estes dois dogmas assassinos têm como resultado a impossibilidade ideológica de alguém pretender criar uma estabilidade económica para com isso pagar políticas sociais. Estes dois dogmas injustos tornam imoral, contra-natura e herética qualquer política de um partido de esquerda que queira reformar o estado, rentabilizar a economia e mudar o futuro porque, para muitas das pessoas da esquerda honesta, campo no qual qualquer apoiante do actual governo não tem assento, o governo deve ser apenas um distribuidor de riqueza, um garante de direitos e, NUNCA, um exigente de responsabilidades.
Quando oiço os revoltados cidadãos portugueses clamar a sua raiva e frustração contra o tirânico governo de José Sócrates, penso nas alternativas e chego à conclusão que Portugal ainda não bateu no fundo. O controle do défice não foi importante porque o país deveria gastar o que quizesse, tendo em conta sempre o bem estar dos seus cidadãos, o aumento do desemprego é um crime porque a reconversão da indústria não é importante, o ataque a alguns privilégios corporativos é uma violação de direitos básicos porque todos temos direito a tudo, independentemente do que façamos para o merecer.
Hoje sou um homem novo, fruto desta aprendizagem que tive nos últimos três anos. Ao diabo com toda a racionalidade e ponderação nas contas públicas. Estou farto de, como cidadão, sofrer para que um país de dez milhões de cidadãos seja viável. Quer as coisas estejam boas ou más, a única coisa que me interessa é a minha parte e, como tal, quero a governar-me alguém que assegure essa minha parte e os outros que se amanhem. Já que José Sócrates não passa de um direitista que tomou por uma OPA o Partido Socialista, já que o controle do défice é política de direita, já que o aumento dos subsídios de maternidade, o aumento das pensões de sobrevivência, o maior aumento de sempre no salário mínimo, a inclusão da caríssima vacina contra o cancro do colo do útero no plano nacional de vacinação, a generalização dos meios informáticos a estudantes, entre outras são tudo políticas nas quais a esquerda não se revê, então que venha um político de esquerda a sério tomar conta do país.
Se tudo correr bem nas próximas eleições teremos Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã a governar Portugal em aliança com a campeã dos direitos sociais que é Ferreira Leite. Poderemos então ter um governo que dará aos sindicatos tudo o que pretendem, mas a todos os sindicatos e não só aos de uma determinada classe profissional. Desejo ardentemente ver aumentos salariais de 10% para todos os trabalhadores, desejo ver todos os profissionais progredirem na carreira automaticamente e sem qualquer forma de avaliação até todos atingirem o topo, e de preferência dez anos antes da reforma. Quero ver as farmácias com o monopólio de venda de medicamentos, as férias judiciais em dois meses completos e o sistema de protecção social das forças policiais e forças armadas reposto porque ele DEVE contemplar não só os seus beneficiários a 100% como também os seus familiares incluindo os por afinidade. Quero um hospital em todas as sedes de concelho e um centro de saúde e maternidade em todas as sedes de freguesia porque a qualidade dos serviços de saúde e a mais baixa taxa de mortalidade infantil da Europa se devem à proximidade dessas estruturas e não à qualidade do serviço fornecido em infra-estruturas especializadas. Quero subsídios para os nossos agricultores, pescadores, operários e vinicultores, subsídios esses a distribuir em função das suas intenções e não da sua produção porque é sabido que em cada português há um trabalhador honesto e incansável e a sugestão de que alguns poderão tentar viver de benefícios é caluniosa e anti-patriótica.
É este o governo que quero ver no futuro para o meu país, embora deseje sinceramente ter emigrado antes de isso acontecer. Quando Portugal chegar ao ponto em que chegou a Argentina há poucos anos atrás, quando o país falir e o banco de Portugal fechar, quando os sálarios dos funcionários públicos não forem pagos, as transacções internacionais congeladas e os bancos cancelarem os empréstimos e cobrarem no próprio dia as dívidas, então alguém pensará se o rumo foi o correcto. Octávio César Augusto escreveu à cerca de 2000 anos atrás que “ para lá dos Pirinéus há um povo que não se governa nem se deixa governar”. Na altura referia-se à resistência dos bascos mas hoje, 2000 anos depois é a outro povo que essa máxima presciente se deve aplicar. O meu instinto sádico leva-me a escrever que este país merece ter o governo que deseja, mas a réstia de sentimento patriótico que ainda tenho, e já não é muito, leva-me a combater diariamente esse fado lusitano, essa atracção pela catástrofe que nos leva a pensar como indivíduos ou como membros de uma casta e, como consequência, ignorar o bem comum.
Sinceramente já não sei por que razão continuo a tentar convencer-me com estas tretas, o melhor é ser como os outros e ir na corrente, no final de tudo, alguém aparecerá para fechar a porta.
José Sócrates ?!? Estou farto desse tirano direitista e lacaio do capital.
Que venham os verdadeiros homens de esquerda !
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
Há poucas coisas de que goste tanto na escola como de ver os miúdos nas aulas de Educação Física.
Com todas as alterações que houve no ensino nos últimos anos, quer se queira quer não, foi criada uma barreira que apesar de fictícia, existe. Há as disciplinas prioritárias, aquelas que são sujeitas a avaliação externa, como a Matemática e a Língua Portuguesa, as outras teóricas e finalmente as chamadas “expressões” que quase só existem para passar o tempo.
Compreendo a preocupação com as duas disciplinas consideradas como fundamentais para tudo mas nunca aceitarei o menosprezo com que as “expressões” têm tendência a ser tratadas. Acredito sinceramente que a formação plena de qualquer aluno passa por todas as vertentes e se acham que me estou a armar em “homem renascentista” devo dizer-vos que esta minha opinião é resultado do que tenho visto em todas as escolas onde trabalhei nos 11 anos de ensino que tenho.
Voltando ao início, é no desporto que sinto os miúdos mais livres. É como se por um passo de mágica, a entrada em campo formatasse toda a realidade em que vivem. Já vi alunos que ninguém dá nada por eles agigantarem-se ao entrar num campo. Já os vi olhar a bola com um olhar de paixão e desejo que não vejo em muitos adultos.
Um professor meu de Educação Física ensinou-me há muitos anos atrás que o desporto é a forma mais civilizada que um ser humano tem de provar a outro que é melhor do que ele, daí o esforço hercúleo que acho que todos devemos ter em ensinar que há limites que não se ultrapassam na competição desportiva.
Aqui em Aljezur, que é onde tenho o previlégio de ensinar há alguns anos, vejo continuamente, dia após dia, fenómenos de heroísmo realmente comoventes. Há um miúdo com uma vida de inferno em cima dos ombros que num campo de futebol flutua acima de tudo e voa mais alto que os seus próprios sonhos. Há outro que nunca conheceu o conceito de familia, que ninguém o quer por perto na realização de trabalhos escolares mas, durante um jogo que corre mal, todos chamam por ele porque é em quem mais confiam. Vi uma miúda acelerar os patins para além do expoente do racional sem se preocupar se conseguiria travar antes da próxima curva para ganhar uns centésimos de segundo na luta pela vitória.
Todos eles se transfiguram quando são colocados perante o desafio de serem os melhores ou os primeiros dos últimos. Vivem a jogada com a entrega do destino, vencem as dificuldades com o desespero dos condenados e entregam em cada lance tudo o que são. Fintam as tristezas, passam a felicidade, rematam como se a sua vida dependesse disso e atacam o cesto saltando mais alto do que qualquer barreira que se lhes levante.
Muitos não têm um lar em que se revejam, outros querem arrancar de quem os vê o carinho, amor e ternura que nunca conheceram até aquela jogada genial por todos aplaudida, muitos outros estão no campo como gostariam de estar na vida, seguros, decididos e apoiados.
Adorava poder ensiná-los a transportar para a vida os princípios que aplicam naturalmente no desporto. Tento, e tento e continuo a tentar mas é através do desporto que sonham no intervalo do pesadelo que são as suas vidas. O campo é o seu horizonte, a bola é a sua amante e a vitória o seu lema.
Podemos medir a sua maturidade pela forma como se dedicam aos estudos, às notas e à preocupação com que planeiam o seu futuro, mas, o seu carácter é no campo que se revela. Na forma como enganam o destino com uma finta, na forma como se jogam a uma bola para que aqueles que neles depositaram confiança não sofram um golo, na concentração que aplicam no arco para que a sua seta atinja um sonho.
A vida pode tê-los condenado a um inferno ainda antes de terem nascido, a familia pode não ter existido, aqueles que tinham a obrigação de os proteger podem ter sido os que lhes fizeram mal, mas, dentro do campo, só eles mandam em si próprios. No campo eles afirmam-se e afirmam o seu grito de raiva contra as adversidades. O campo é o seu universo e eles governam-no como Heróis, como Deuses, como Titãns.
Desta vez não podia estar mais de acordo com Daniel Oliveira. Liberdade e independência para os sindicatos, para que saibamos de uma vez por todas quem diz que fala em nosso nome.
Depois dos resultados prometedores das eleições Sérvias que deram o poder aos moderados, o aceitar desta independência unilateral poderá devolver o governo aos nacionalistas por mais uma geração. Além deste facto, acredito que o processo de aproximação entre a Sérvia e a União Europeia terá terminado anteontem e não faltará muito para assistirmos a uma Sérvia a gravitar em torno da Rússia.
Para terminar todo este panorama, não é de subvalorizar o papel que esta independência terá nos movimentos separatistas existentes na Europa, como por exemplo os Bascos.
Dificilmente a União Europeia poderia ter piores noticias neste início de ano.
Sobre o escarro que foi a micro manifestação da Sábado no Largo do Rato, faço minhas as palavras de Tomás Vasques
«Receita de Ano Novo»
«Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Acho estranha essa atitude e só posso compreendê-la se pinto da costa estiver com medo de perder o monopólio da estupidez, arrogância, brutalidade e selvajaria.
«que a liberdade ressoe!»
Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.
Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.
Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.
Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.
Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.
Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.
Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.
Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.
Esta maravilhosa nova militancia que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.
Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.
Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.
Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.
Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.
Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.
Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".
E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!
Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!
Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!
Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!
Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!
Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.
Que de cada localidade, a liberdade ressoe.
Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"
Nem sei bem o que escrever. Cada vez tenho menos paciência para estes selvagens mal educados.
Com este currículo brilhante, Paulo Portas esperou um passeio triunfal de volta à liderança do seu antigo couto privado. O que ele não esperou foi que ainda existisse um “velho” CDS, genuinamente Democrata Cristão, europeísta, conservador e pouco dado a arrivismos e a populismos de feira, mesmo que vestidos com fatos de lorde Inglês.
Neste contexto, e com esta resistência, só havia uma coisa a fazer, apostar nas directas. Aqui, e ajudado pela incoerência de Ribeiro e Castro, o povo do PP poderia estender o tapete vermelho ao seu “grande líder”, mas para isso ainda havia questões estatutárias a resolver na reunião do Conselho Nacional. Como os estatutos davam razão à petição de mais de 1000 militantes para ser feito um congresso, ainda houve um recurso, o recurso à selvajaria. Num ambiente próprio de um estádio de futebol, um bando de aborígenes disfarçados de gang suburbano tentou manipular, condicionar e intimidar a reunião do órgão máximo do CDS/PP entre congressos. Maria José Nogueira Pinto não foi em golpadas e fez o que os estatutos mandaram, mesmo contra a turba inflamada e com evidentes riscos para a sua integridade física. No final foi o que se viu. Um espectáculo deplorável dado por um partido que se orgulha de pertencer ao arco governativo português. O partido que afirma, como se de uma medalha de honra se tratasse, que esteve sitiado durante um congresso no verão quente, sitiou, ameaçou, insultou e agrediu os seus próprios dirigentes numa reunião. Na mão desta mistura entre sobas africanos e caudilhos sul americanos, até o triste Manuel Monteiro passa por estadista sério e responsável.
Eis a gloriosa direita portuguesa no seu máximo esplendor.
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